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cronicas de jovens estudantes
Jovens, atentos e cheios de sentido crítico: assim são os cronistas do Laboratório.
Sem caixas de petri ou tubos de ensaio a combustão dá-se na forma de palavras.
A não perder: à segunda-feira.


Tiago Ramalho
No substitutions

Introduziram-me num destes dias o comediante Louis Szekely, mais conhecido como Louis C.K.. É um facto que as pilhérias roçam o grotesco na maior parte dos casos e que a rudeza com que se dirige à sua audiência, de forma artificialmente natural, podem afastar certos gostos que se considerem mais requintados. No entanto, poucas pessoas poderiam deixar de sorrir ao ouvi-lo dizer a um dos seus dedicados fãs, no meio de um dos seus espectáculos, para desligar o telemóvel e largar o twitter. Que parasse o indivíduo de falar sobre a sua vida e passasse a vivê-la era o grande ponto, decentemente acolhido pela multidão com um aplauso.
Isto é um fenómeno interessante para aqueles que hoje se apresentam como 'gente jovem'. Quem não deu já por si a ir a sítios extraordinários e a passar uma irracional parte do tempo a tirar fotografias, sem que o espaço por si mesmo fosse sentido, apreciado, vivido? Ou pior: a desperdiçar uma belíssima viagem apenas porque a bateria da máquina descarregou e a posteridade terá de ficar ignorante da nossa felicidade presente?
E isto alastra-se. Nos Estados Unidos, as relações são agora 'facebook official' ou 'facebook unofficial', pessoas com internet móvel perdem horas do seu dia a dar conta de como o seu dia está a ser. Mentira, não o fazem. Quando escrevemos no Twitter algo como 'estou a ver um lindo pôr-do-sol', deveríamos antes escrever 'estou a escrever no Twitter, em vez de ver um lindo pôr-do-sol'. O ponto é muito simples, e o senhor Louis tem razão: é preciso viver mais e deixar que os relatos venham mais em forma de memória quente e menos em código binário.


13 de Fevereiro de 2012


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